Diletos padres!
É visível a escassez de padres em nossa Arquidiocese e a ausência do Seminário nas ações vocacionais. Trate-se da falta de comprometimento de todos os clérigos, sem exceções. Não se pode falar em vocação presbiteral sem a divulgação e o apoio de todos os irmãos sacerdotes.
Me preocupo demasiadamente pela causa vocacional, mas tem um motivo: a Igreja Católica nunca ganhará padres prontos. Precisamos arregaçar as mangas, nos colocar a serviço, contribuindo com a equipe formativa de nossos Seminários. Se queremos padres compondo a nossa Arquidiocese, as nossas paróquias, as nossas comunidades, precisamos: sair, ver e chamar. Essa é a orientação do Papa Francisco, que podemos intervir em nossa realidade, eis:
“A Pastoral Vocacional precisa de uma Igreja em movimento, capaz de ampliar seus confins, com base no grande coração misericordioso de Deus… Devemos aprender a sair da nossa rigidez, que nos tornam incapaz de comunicar a alegria do Evangelho, das fórmulas anacrônicas e das análises preconcebidas, que envolvem a vida das pessoas em esquemas frios. Vocês são os principais responsáveis das vocações cristãs e sacerdotais; saindo, vocês podem ouvir os jovens, ajudá-los a discernir as ações dos seus corações e orientar os seus passos. Somos chamados a ser pastores no meio ao povo, a animar a pastoral do encontro e a dispor de tempo para acolher e ouvir os outros, sobretudo os jovens. "É impossível promover a cultura vocacional com os braços cruzados, indisposto, acomodado. Não podemos ser pessimistas, ensimesmados, egocêntricos. Precisamos olhar para frente, tendo em vista as Sagradas Escrituras, que sempre nos exorta a ação missionária. Não há outro caminho: temos que sair destas armadilhas que nos aprisionam, que nos tonam indiferentes.
"Quando Jesus passa pelas ruas, para e cruza seu olhar com o do outro, sem pressa. Eis o que torna atraente e fascinante a sua chamada. Hoje, infelizmente, a pressa e velocidade dos estímulos nem sempre deixam espaço ao silêncio interior, no qual ressoa a chamada do Senhor. Às vezes, constatou Francisco, é possível correr este risco em nossas comunidades: pastores e agentes pastorais podem cair num ativismo vazio por causa da pressa e dos seus compromissos. Mas, o Evangelho nos ensina que a vocação inicia com um olhar de misericórdia."Vivemos em uma sociedade ansiosa, que perdeu o gosto pelas coisas simples da vida: reunir-se em família, rezar antes das refeições, prosear com os parentes – estar não apenas ser. Essa é uma das principais causas de crises existências. É necessário ter um olhar panorâmico, capaz de enxergar as pessoas que convivem conosco, no trabalho, na escola, na comunidade, nas ruas, nas intempéries e até mesmo nos momentos mais banais do cotidiano. Ver os jovens que se interessam por uma vida consagrada ao Senhor Jesus: uma tática indispensável.
"Chamar é o terceiro verbo típico da vocação cristã. Jesus não faz longos discursos, não apresenta um programa a se aderir e nem respostas preconcebidas. Eles se limita em dizer ‘segue-me’, Jesus suscita o desejo de pôr-se em marcha e de deixar uma vida sedentária. Este desejo de busca destaca-se sobretudo nos jovens: é o tesouro que o Senhor coloca em nossas mãos, que deve ser mantido, cultivado e germinado."Quando falamos em chamamento, logo pensamos no dia em que tomamos a decisão de entrar no Seminário. Ao lembrarmos disto, não esqueçamos jamais de fazer memória daquelas pessoas que nos incentivaram a seguir esse caminho, seja pelo convite "Já pensou em ser padre?" ou até mesmo pelo testemunho de vida. Não nascemos no clero, tivemos uma vida antes disso tudo. É preciso voltar às fontes, ao início. Omitir-se diante desta realidade, nos torna incapazes de viver com autenticidade o Evangelho. Dispensa-se discursos prontos, vamos falar com humildade e solicitude. O papa conclui:
“Perseverem em ser próximos, sair, semear a Palavra com olhares de misericórdia. Tenham coragem de promover a Pastoral Vocacional mediante métodos possíveis, exercendo a arte do discernimento. Não tenham medo de anunciar o Evangelho com generosidade, de encontrar e orientar a vida dos jovens”.Diante das palavras do Papa Francisco, que nos faz tomar uma atitude perene, enquanto clérigos ou formadores, precisamos passar a teoria para a intervenção. Atualmente, o Seminário Arquidiocesano é composto apenas pelo reitor – Dom Matheus Bernardo – que não mede esforços para o trabalho, entretanto não é só de reitor que o Seminário sobrevive, é necessário uma equipe de formadores abrangente, que abrace a formação dos futuros padres.
Se dividirmos uma disciplina para cada formador, não se torna cansativo. Por isso cada paróquia ou comunidade de nossa Arquidiocese, deverá num prazo de quinze dias, formar um grupo de orientação vocacional, composta por leigos ou por padres, afim de trazer os jovens ao Seminário, e enviar um sacerdote – caso este paróquia tenha capacidade – para tornar-se membro do conselho de formadores. Os bispos precisam agir, de forma obrigatória, pela causa.
Todos os clérigos que tiverem diligência e força de vontade, estão convidados a tomar parte deste grupo, entrando em contato com o Vigário Geral da Arquidiocese, com o Arcebispo, ou com o Reitor do Seminário: Dom Matheus Bernardo. É obrigatória a divulgação desta carta em palestras por todas igrejas do Rio Grande do Sul, afim de que tenhamos mais padres, e santos padres. Estou disposto a ajudá-los nesta missão!
Não se esqueçam: rezem pelas vocações e cumpram os três verbos: sair, ver e chamar.
Enviai, Senhor, operários para a vossa messe, pois a messe é grande e poucos são os operários!
Porto Alegre, 22 de março de 2018.
Dom Guillaume Lians
Vigário Geral da Arquidiocese de Porto Alegre
Bons exercícios quaresmais!
